Riscos climáticos podem ser mitigados com o auxílio da agrometeorologia

As previsões do tempo e tecnologias estão avançando para ajudar o produtor a planejar melhor a safra e reduzir as perdas provocadas pelas intempéries

A safra de soja 2018/19 teve um início otimista, com expectativa de colheita de até 119,42 milhões de toneladas, de acordo com o primeiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento. Todavia, os produtores foram surpreendidos por um veranico e chuvas mal distribuídas que mudaram o rumo da safra. Em março, a previsão da Conab já havia recuado para 113,46 milhões de toneladas. “O ano foi muito atípico em relação às previsões do tempo. O fato de as temperaturas do Oceano Pacífico estarem mais elevadas sugerindo uma influência de El Niño, porém com a atmosfera não respondendo como tal, fez com que tivéssemos várias nuances no clima. Por isso, é um ano de safra muito irregular”, diz Marco Antonio dos Santos, agrometeorologista há 17 anos e sócio-proprietário da consultoria Rural Clima.

A quebra da safra de soja 2018/2019 não é um evento isolado. A agricultura é uma indústria à céu aberto e as fazendas ficam sujeitas às intempéries. Secas e outros eventos climáticos afetam diversas culturas sazonalmente. Porém, não se deve ficar completamente refém do clima. É possível investir em tecnologias como estações meteorológicas e apostar em soluções eficazes para minimizar os riscos climáticos e proteger o patrimônio do agricultor.

 

Seguro agrícola

Uma forte alternativa para mitigar os riscos climáticos é o investimento em seguro agrícola, ferramenta que protege o investimento na safra. O cliente Bayer pode resgatar o Seguro Multirrisco Grãos por pontos na Rede AgroServices, que visa assegurar lavouras de soja e de milho 1º e 2º safras (confira a oferta aqui). A apólice oferecida pela seguradora Faifax na Rede AgroServices assegura a produtividade média estimada para a safra, com cobertura contra chuvas excessivas, secas, geadas, granizo, vendaval, tromba d’água, inundação e até incêndio. Leia também: produtores podem contratar seguro agrícola na Rede AgroServices.

 

Agrometeorologia

Já imaginou acompanhar a previsão do tempo de forma analítica, focada na sua fazenda e com alto grau de acerto? Essa é a proposta da Rural Clima, uma consultoria boutique que atende produtores de todo o Brasil com boletins informativos e análises técnicas. “Nós da agrometeorologia conseguimos traduzir as previsões do tempo para o setor do agronegócio. Entendemos a fisiologia da planta e interpretamos melhor os reais efeitos do clima”, afirma Marco Antonio dos Santos. O serviço de assessoria da Rural Clima e estações meteorológicas podem ser resgatados por pontos na Rede AgroServices, confira ofertas aqui.

Segundo o agrometeorologista, os clientes da Rural Clima souberam que o clima não seria formidável na temporada 2018/19 e receberam sugestões para prevenir problemas. “Existem métodos para mitigar os efeitos do clima que são fazer bons tratos culturais, fazer um plantio mais bem feito, observar o perfil de solo e fazer com que as raízes se aprofundem mais. Quando o produtor sabe que vai ter um volume de chuvas mais expressivo, pode atrasar ou antecipar a dessecação, por exemplo”, diz Santos.

 

Previsão do tempo na medida

A previsão climática está avançando a passos largos. Assim, o produtor consegue antecipar tendências de forma mais ágil e confiável. “A previsão do tempo evoluiu muito nos últimos 10 anos, com o incremento de novas tecnologias, computadores mais potentes, satélites, modelos de previsão mais dinâmicos e mais realistas que vêm surgindo. Isso tudo tem ajudado no quesito previsão do tempo. As previsões estão mais precisas do que antigamente”, explica Santos.

No entanto, é preciso saber o que fazer com tantos dados disponíveis e usá-los ao seu favor, orientando as melhores práticas de manejo e decisões econômicas para melhor gerir a compra de insumos e planejar as operações de campo. “O produtor sempre fica com o pé atrás, mas cada vez mais ele têm acreditado nas previsões. Os modelos climáticos estão mais assertivos e isso gera mais confiança junto ao produtor”, diz o agrometeorologista.

Os produtores atendidos pela Rural Clima recebem previsões do tempo para os próximos 10 dias com grau de acerto entre 80% e 85%. Em fazendas que possuem estações meteorológicas, o trabalho evolui ainda mais. A consultoria coleta dados climáticos diretamente na fazenda e consegue aprimorar as análises. “A gente já chegou a ter grau de acerto de 95% para quem tem estação meteorológica para os próximos 15 dias”, diz Santos. “Nós alinhamos a melhor época de plantio e de colheita e como isso pode impactar na produção agrícola. O serviço da Rural Clima hoje é ajudar o produtor a interpretar o clima de acordo com os dados dele.”

Em análises de longo prazo, para 60 dias, a previsão da Rural Clima atinge grau de acerto entre 65% e 70%. Há ainda previsões para até seis meses, mas as previsões de quatro meses são priorizadas. Segundo Santos, esse tipo de trabalho permite orientar a melhor janela de cultivo e mitigar os riscos climáticos. “Acertamos o cenário climatológico, podemos saber se o clima vai ser mais ou menos chuvoso, se as temperaturas serão mais altas, por exemplo. Utilizamos esses dados para o planejamento de safra”, afirma ele.

Além disso, a consultoria avalia as condições de acordo com a cultura. “Cada cultura tem a sua particularidade em relação ao clima e trabalhamos com todos os parâmetros agrometeorológicos. Os grandes elementos são temperatura, chuva, radiação e vento. Além desses parâmetros, também observamos evapotranspiração e graus-dia. Tudo isso para cada fase fenológica, fase de germinação, desenvolvimento vegetativo, florescimento, maturação e colheita. Trabalhamos com todos esses elementos individualizados para cada cultura”, explica Santos.

 

Por que o clima representa um risco?

De acordo com o agrometeorologista Marco Antonio dos Santos, a atmosfera é mais caótica em zonas tropicais. Por isso, o clima é mais preocupante para a agricultura brasileira do que em países de zona temperada, como os Estados Unidos e a Argentina. Além disso, as principais regiões produtoras brasileiras estão em áreas que registram maior grau de instabilidade. “O Centro-Oeste e o Sudeste são regiões mais críticas com relação ao clima pela posição geográfica no centro da América do Sul”, afirma Santos. “São áreas muito mais instáveis e o grande problema são as pancadas de chuva. O desafio grande está para as lavouras de segunda safra e lavouras de inverno.”

O maior risco para a safra são as intempéries relacionadas à água, ou seja, secas e períodos de chuvas excessivas. Segundo Santos, secas e chuvas excessivas são responsáveis por 73% das perdas causadas pelo clima nas plantações. “O grande risco para o produtor está relacionado à água”, diz Santos. Segundo o agrometeorologista, embora a ocorrência de chuvas de granizo e geadas possam devastar toda a lavoura, esses fenômenos acontecem de forma pontual e localizada e só representam 4% dos prejuízos por intempéries.

 

GeoClima – Rede Social do Clima

A previsibilidade sobre o clima é muito importante para planejar a safra com mais confiança e quanto maior for o volume de dados disponíveis, melhor será a previsão. Já que a união faz a força, os produtores podem apoiar uns aos outros na tomada de decisões. Pensando nisso, a empresa Geodrone desenvolveu na Bahia uma plataforma de previsão climática com base nos princípios de economia solidária (a assessoria climática pode ser resgatada por pontos na Rede AgroServices, confira aqui).

Na prática, a tecnologia funciona como se fosse uma rede social do clima, na qual cada produtor insere informações como o volume de chuvas registrado na fazenda. Por meio de um modelo climático regional desenvolvido pela Geodrone, a empresa processa os dados meteorológicos de todas as fazendas cadastradas no aplicativo e gera relatórios integrados com previsões localizadas, para identificar a distribuição de chuvas nos talhões e o potencial de produtividade. “Temos 3.600 pluviômetros. São 140 fazendas no sistema atualmente e cada uma delas funciona como um observador do clima”, afirma Ricardo Reis, gerente técnico da Geodrone.

 

Previsões localizadas

Até agora, o sistema da Geodrone analisa o clima para fazendas localizadas na Bahia, Maranhão, Tocantins, Piauí e a tecnologia está em processo de expansão para outros estados, especialmente para o Centro-Oeste. O grande diferencial é obter previsões climáticas extremamente regionais e condizentes com a realidade do ano safra. “Temos um modelo climático nosso e os dados são próprios. Também fazemos previsões de curto prazo que são trabalhadas com imagens de satélite. Criamos o nosso próprio banco de dados, aí é que está o nosso diferencial”, explica Reis.

O sistema é capaz de atender fazendas de quaisquer tamanhos e gerar previsões para até 10 meses, o que permite planejar a safra e investir em melhorias de manejo de acordo com o clima esperado. “Tem muita economia no dia a dia do manejo. O produtor se beneficia com informações com antecedência. Ele vai saber se pode aplicar defensivos e não perder a aplicação e se prevê uma seca ele sabe que precisa fechar o melhor preço no mercado, por exemplo. São vários ganhos ao longo do tempo”, explica Reis. Além desses benefícios, o aplicativo também oferece um fórum com espaço para tirar dúvidas e permitir a interação entre os produtores cadastrados, além deste espaço ser usado pela Geodrone para difusão de conhecimento e popularização de informações sobre tempo e clima. Interessados podem resgatar o serviço por pontos na Rede AgroServices, acesse a oferta.

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