Café do Cerrado goiano conquista consumidores de todo o Brasil

Café. Foto: Shutterstock.

Família Zancanaro investe em marca própria de cafés especiais e está sendo pioneira na nova fronteira agrícola da cafeicultura brasileira


A família Zancanaro está surpreendendo o mercado de café e provando que os consumidores da bebida podem descobrir uma nova origem para o produto. É no Cerrado Goiano, uma região sem tradição na cafeicultura, que a família está colhendo grãos especiais 100% arábica com um aroma e sabor únicos. “Cada terroir tem suas características. Se a gente consegue trabalhar bem o solo, tem tecnologia e cultiva com amor, conseguimos produzir um café de qualidade”, afirma a produtora Cristiane Zancanaro, que cuida da produção junto com os pais e os quatro irmãos.

O Cerrado Goiano tem estações bem definidas e um período bem seco geralmente entre abril e setembro que não permitiria o progresso dos cafezais. No entanto, com a ajuda da irrigação, a família Zancarano vem provando que é possível cultivar café com sucesso na região goiana. “O nosso café de Goiás é tão bom quanto os de São Paulo e Minas Gerais. As estações são bem definidas aqui e o solo é muito parecido com o da região do Cerrado Mineiro, então a gente tinha tudo para dar certo trazendo o café para cá”, diz Cristiane.

Produtora Cristiane Zancanaro

Café irrigado

Atualmente, a família cultiva 11 hectares de café arábica com sistema de gotejamento e 890 hectares irrigados por pivôs centrais na Fazenda Nossa Senhora de Fátima, localizada em Cristalina (GO). Em maio de 2018, a família lançou a marca própria de café Famiglia Zancanaro durante a feira AgroBrasília com o apoio do Made In Farm e, de lá para cá, a produtora vem comercializando seu café para compradores de todo o Brasil. Trata-se de um lote de café cereja descascado, com notas de chocolate e caramelo, torra média para escura e 82,67 pontos na avaliação de qualidade. “O Made In Farm faz a minha marca chegar onde eu não tenho alcance. E eles contam a nossa história, isso é o que eu acho mais fenomenal. Estou muito feliz porque estou vendendo cafés pelo Made In Farm para cafeterias de São Paulo, essa é uma parceria realmente gratificante”, diz a produtora.


Marca própria

Com o incentivo do Made In Farm, a produtora se sentiu mais encorajada para apostar na marca própria de cafés especiais. “Para mim, ter uma marca própria foi sensacional porque era um projeto que eu queria e já é um sonho realizado. Hoje temos um padrão próprio de torra e o produto também tem muita qualidade”, conta a produtora. “O desafio é fazer a nossa história de produtor chegar para as pessoas e realmente elas verem como o nosso trabalho é feito com amor, carinho e dedicação.”

Outros dois lotes de cafés especiais já foram lançados neste ano com a marca Famiglia Zancanaro, um lote de café frutado, com notas de mel e frutas vermelhas e o microlote com o melhor café da safra 2018. O microlote apresenta notas de mel, açúcar mascavo, avelã e um toque de especiarias, tem torra mais clara. Cristiane se orgulha de cada atividade realizada na fazenda, desde o plantio do cafezal, passando pelos tratos culturais da lavoura e cada detalhe do processo de pós-colheita e beneficiamento, como a seleção eletrônica dos grãos e embalagem. “Esse microlote foi todo colhido à mão e estamos torrando o nosso próprio grão, tudo é feito por nós na fazenda”, conta Cristiane. “Conciliamos tudo da produção na lavoura, pós-colheita, torra e embalagem e o desafio é o cliente final entender como isso é bom para a qualidade do produto.”

O reconhecimento do mercado não deixa dúvidas. O café da família Zancanaro já foi premiado três vezes em concursos de qualidade promovidos pela torrefadora italiana Illy Cafè e exibe selo de café especial atestado pelos provadores da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA). Além disso, a fazenda Nossa Senhora de Fátima tem certificação UTZ, um programa conhecido mundialmente que estabelece normas para a produção de café, cacau e chá. “Isso é uma garantia de que realmente o café é especial e que a propriedade respeita todas as leis trabalhistas e ambientais. Estamos em ordem com tudo”, diz a produtora Cristiane Zancanaro.

 

História de sucesso

A família Zancanaro atua na agricultura goiana há 33 anos, cultivando feijão, soja, milho, cebola e alho. Além disso, produz algodão em fazenda localizada na Bahia. A ideia de apostar no cafezal surgiu como uma alternativa para diversificar cultivos e minimizar riscos relacionados ao feijão, cujo mercado tem fases desfavoráveis. “Os preços do feijão oscilam muito, a gente buscou um mercado mais estável com o café”, diz Cristiane.

O cultivo de café começou timidamente na safra 2009/2010, com projeto piloto para a produção de cafés especiais em apenas 11 hectares irrigados por gotejamento. Já na safra seguinte, os cafezais foram implantados em outros 200 hectares irrigados por pivô e o negócio deu tão certo que a área cultivada foi sendo ampliada gradativamente. “Eu vi em 2013 que poderíamos apostar num pós-colheita mais detalhado com mais cuidado, o que já nos trouxe resultados no ano safra de 2015 com o primeiro lugar no prêmio Ernesto Illy regional Centro Oeste de qualidade do Café para espresso”, conta Cristiane.

O período de seca que é uma forte característica do cerrado goiano acabou se mostrando uma vantagem competitiva porque o café é muito sensível ao clima. Chuvas e alta umidade promovem a proliferação de fungos que prejudicam a qualidade dos grãos. “Aqui no Cerrado, durante a colheita não cai uma gota de chuva e isso é uma bênção para a qualidade do café”, diz Cristiane. Além disso, a fazenda está localizada a uma altitude de 998 a 1028 metros, outra vantagem que beneficia o café.

A boa surpresa também foi que a família Zancanaro não só teve um bom desempenho no cultivo de café como está consolidando uma nova fronteira agrícola para a cafeicultura brasileira e o negócio já chama a atenção de compradores internacionais. Com o apoio de uma consultoria contratada, a família realizou a primeira exportação direta de café de Goiás. Foram exportadas 1.280 sacas de café verde em agosto de 2018, sendo que foram embarcados dois contêineres de café cereja descascado para a Grécia e dois contêineres para a Austrália.

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COPYRIGHT © REDE AGRO S.A - Última atualização: 20/08/2019 (1.0.3141)